Ontem a noite muita gente se ocupou com uma certa festa. Mais gente do que eu gostaria de acreditar. E podia ficar resmungando. E falar que é o fim do mundo algumas pseudo-celebridades legais twitarem sobre isso. Ou até repetir umas palavras dizendo que é mais um evento de moda do que de cinema.
Mas estava ocupado com outra coisa. Algo mais relevante pra mim. Comecei a redigir como e-letter, no caderno, com bic preta. Interrompi, faltava o scanner. Um email tradicional então? Não, muito importante pra tão pouco esmero. Além do mais email a gente sempre deixa pra depois, não podia arriscar cair nesse limbo eletrônico. Então suprima-se as piadas internas, as referências obscuras, a data alinhada à direta e a saudação ao Irmão das Armas.
Mais importante, aproximemos aqueles que estão alheios: o André foi aprovado na UnB. Fiquei feliz por ele, e estou certo que não somos poucos nesse sentimento. Mas passamos da fase de parabenizá-lo, e chegamos a fase da despedida. E em nossa reunião alcoólica para marcar esse fato, alguém puxou tímido o começo desta música como brinde:
E conforme bradava os versos erguendo alto meu copo, fui sentindo que aquilo estava errado. Mas não era “só” porque nosso amigo não está morrendo. Havia algo de nostálgico nesse erro.
Acontece que cerca de 6 anos atrás eu me mudei de São Paulo para Campinas. Era algo que queria há muito, e antecipava. As “festinhas” foram mais comemoração do que despedida. E quando os mais próximos me perguntaram o que aconteceria, eu sorri, e disse que ficaria tudo bem, que não seria tão diferente assim. Mas foi. Às vésperas da partida, quando lágrimas verteram nos rostos dos mais fortes, uma súbita tristeza me tomou, como se contagiado da saudade em antecipação. Não sei da onde emprestei determinação, mas disse: “Não é como se eu estivesse indo pra guerra”.
Veja, essa não é uma forma condescendente de dizer que sei tudo que espera quem daqui sai para estudar. Como os anos mostraram, Campinas é pouco mais do que um bairro afastado. Brasília por outro lado está na quarta região deste mapa:

Brasil, segundo Anarcoplayba
Mas honestamente tenho minhas dúvidas se essa proximidade é algo realmente benéfico. No primeiro sábado eu voltei. E no segundo, no terceiro… em tantos que não seria muito longe da verdade dizer que voltei todos eles. E não posso negar que isso aliviou aflições originais, confirmando a idéia de que era tudo exagero. Só que não era.
Tentando manter viva toda a extensão da minha vida social em São Paulo, não a desenvolvi em Campinas. E mesmo a primeira parte requeria uma quantidade notável de energia pra ser exprimida (e espremida) em dois dias por semana. Ao mesmo tempo que não estava perto, não deixava que me percebessem longe. E assim algumas distâncias se tornaram muito maiores que esses 100 quilômetros. Queria culpar alguma circunstância, mas pelo meu isolamento só posso culpar minha inépcia ingênua. Mas não quero me estender muito nessa idéia e nos seus desdobramentos aparentemente tristes.
(Escreveria mais numa carta, sim, mas aí estaria sendo prolixo para um só leitor. Além do mais já dá pra concluir sem ficar muito hermético.)
O que quero dizer de tudo isso é: Não more em Brasília tentando viver em Sampa. Nós ficamos por aqui, mas não se preocupe, amizade é igual cachaça, é o que tem de mais forte.
Vá à guerra, meu amigo, e destrua tudo por lá.
Uma das vantagens de envelhecer é que o mundo diminui.
Brasília é longe? É. Mas nem tanto, viu?
Eu vou é ficar rico!!
ahahahahah! Depois dessas eu não preciso falar mais nada!