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	<title>Hipotermia</title>
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	<description>Ter frio é um superpoder. Às vezes.</description>
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		<title>Hipotermia</title>
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		<title>Omega</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 17:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220; Senhoras, senhores, preponderâncias e leguminosas, boa noite. (ergue braço direito, palma virada para o rosto) Me curvo (pequena mesura com a cabeça) com todo respeito diante da vossa portentosa alçoaba, e peço que desculpem a disnomia que segue. Não é falta de decoro (indicador direito em riste), é simplesmente falta de se importar um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=166&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;</strong></p>
<p>Senhoras, senhores, preponderâncias e leguminosas, boa noite. (ergue braço direito, palma virada para o rosto)</p>
<p>Me curvo (pequena mesura com a cabeça) com todo respeito diante da vossa portentosa alçoaba, e peço que desculpem a disnomia que segue. Não é falta de decoro (indicador direito em riste), é simplesmente falta de se importar um pouco mais com aquilo que vossas gordulências pensam do que vou dizer&#8230; Falta de educação dirão alguns, que seja. (dá de ombros)</p>
<p>O motivo que tomo a palavra, e me dirijo a este átrio do dogma sócio-político-religioso ao fim deste período ábitrário (abre os braços), é convidá-los a uma reflexão. Não tal como propôs o colega Eriberto (sorri para o Eriberto), sobre o que essa administração completou, ou (desvia o olhar do Eriberto) deixou de completar, no referido espaço de tempo.</p>
<p>Gostaria de refletir (as duas mãos tocam a gravata) sobre o que completamos ao fim desse décimo primeiro ano do segundo milênio da era cristã, e (pausa dramática,  braços ao lado do corpo, postura solene) enquanto raça humana onde é que nos encontramos no caminho até a civilização.</p>
<p>Para isso proponho como gabarito talvez o que haja de mais exigente: a Ficção.<br />
(Relaxa, ajeita o microfone) Vão dizer que sou muito pessimista, e que uma comparação dessa nunca traria resultados positivos&#8230; (sorri) sinto muito, colegas, é o que faço melhor.</p>
<p>Pois, uns dias atrás me prostrei diante da caixa de idiotas, a ver aquele filme,  De Volta para o Futuro II. E posso lhês dizer, com audaz segurança, que não veremos nos 4 anos que vem, coisas tais como casacos que se secam, skates voadores, bares automáticos&#8230; E lhes digo isso com tristeza (fecha a cara), pois essa é uma obra que futuriza o consumo. Que no nosso rumo, é o mais provavel de acontecer, se é que alguma coisa além disso, de fato vem.</p>
<p>Não, senhores. Não, mesmo. (balança a cabeça)<br />
Não temos colonias em Marte. Não eradicamos a fome. Não temos grande longevidade, nem higiene perfeita. Não temos robos para fazer nosso trabalho, ao contrário, estamos trabalhando muito mais. (fala de lado, com sorriso irônico) A maior parte de nós pelo menos.</p>
<p>Muitos dos senhores vão pensar então, que estavam mais certos os pessimistas. Talvez (dá de ombros).<br />
(voz dissimulada fina com tom aristocrático) Mas veja, não temos um estado totalitário da utopia Orwellina!<br />
(com impaciência) Ora, controle-se seu demagogo depravado!</p>
<p>Minha sorte (olha para o infinito), é que meus opositores não me acreditam esperto. Eles falam desse totatilarismo, eles falam dos tempos que não devem ser mencionados (prende a respiração com olhar de ódio)&#8230; esfregam nas nossas caras essa migalhas democráticas! </p>
<p>(pausa longa)</p>
<p>Não, meus pequenos amigos. (baixinho, olhando para baixo)<br />
Eles estão tirando nossa atenção daquilo que deveria&#8230;.  (levanta a cabeça, tom sóbrio) Vos convido a abrirem o <a href="http://www.recombinantrecords.net/docs/2009-05-Amusing-Ourselves-to-Death.html" title="anexo" target="_blank">anexo</a>. E ver se não somos tentados a acreditar que é nossa coletiva culpa que caímos no outro extremo das ficção científica pessimista.</p>
<p>É conveniente pensar assim&#8230; Nos iludimos que os pessimistas erraram pra mais. Dizemos subconscientemente, quando a culpa é de todos, não é minha. Mas enquanto estamos lamentando (apoia braço esquerdo, e aponta com o direito lateralmente) eles estão lá com a boca botija!</p>
<p>São linhas de defesa de um armengue muito complexo, meus amigos.  (apoia os dois braços e afunda nos ombros)<br />
Enquanto o inofensivo Big Brother está lá no canal 5, eles estão comendo a sua mulher&#8230; proverbial, claro (tom conciliador). Mas o que importa, é que de fato o inofensivo é você&#8230;<br />
(contolando exaltação) Desculpe, excelência, deixe me ser mais claro: você é um CORNO MANSO!!</p>
<p>(Pausa longa)</p>
<p>Os mais espertos vão me perguntar: Ótimo, e o que eu faço com isso?<br />
(dá de ombros) Honestamente, eu não sei&#8230;. mas pare de ver futebol.</p>
<p>Muito obrigado e boa noite.</p>
<p><strong>&#8220;</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/166/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/166/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/166/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/166/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/166/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/166/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/166/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/166/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/166/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/166/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/166/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/166/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/166/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/166/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=166&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um lugar estranhamente familiar</title>
		<link>http://hipotermico.wordpress.com/2011/07/04/um-lugar-estranhamente-familiar/</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2011 01:31:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ou seria um lugar familiarmente estranho? Faz pouco menos de um mês que ensaio escrever isso. O que é outra forma de dizer que faz pouco mais de um mês que estou vivendo em Bogotá. E antes de explicar o que se passa aqui já adianto (ou como diria a professora de português, &#8220;apresento a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=158&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ou seria um lugar familiarmente estranho?</em></p>
<p>Faz pouco menos de um mês que ensaio escrever isso. O que é outra forma de dizer que faz pouco mais de um mês que estou vivendo em Bogotá. E antes de explicar o que se passa aqui já adianto (ou como diria a professora de português, &#8220;apresento a tese&#8221;): Um mês atrás não considerava Colombia nem como um destino turístico exótico; hoje, dá pra considerar viver aqui.</p>
<p>Não é ilógico. Antes de vir fui bombardeado com todo tipo de má impressão que poderiam me dar sobre o país. Em especial no que diz respeito a segurança: guerra civil, sequestros, atentados a bomba e envenenamento da água. Em vez de tentarem me tranquilizar, meus anfitriões aqui programaram um escolta armado pra me receber no aeroporto. E fosse só isso, me passaram um briefing alertando sobre ladrões de passaporte; bandidos que se passam por polícia; para não andar pelas ruas a pé, muito menos sozinho; e para, em hipótese alguma, pegar um taxi na rua. Boa!</p>
<p>E essa impressão ruim não se desfez tão rápido. Uma chegada muito mal programada, por gente que não estava muito a fim de trabalhar no feriado de segunda. Resultado, meu <a href="http://youtu.be/00Kvyw7AEKU" title="The Bodyguard" target="_blank">Kevin Costner</a>, não estava ali. Por uma hora ali, na frente do aeroporto, sem conseguir falar com ninguém, já cogitava pegar o temido taxi amarelo. Não foi necessário, mas a novela não acabou tão cedo. Entre burocracias e falhas de comunicação demorei 5 horas pra conseguir finalmente desabar no apartamento.</p>
<p>E foi justamente fazendo o que diziam pra não fazer que descobri uma belíssima Bogotá. Saí para caminhar, nos entornos de onde me instalaram, e vi uma cidade bonita. Com dezenas de predinhos baixos com tijolinhos expostos e janelas gigantescas. Uma cidade organizada, de navegação cartesiana, com ruas limpas. A urbe encravada com audácia a uns 2600 metros de altitude, mas que teve a decência de não povoar os últimos 400 metros até o Monte Serrate, cartão postal local.</p>
<p>As praças merecem um parágrafo a parte. Não creio que em qualquer outro lugar tenha visto algo tão bucólico em um centro urbano. São bonitas, equipadas e bem cuidadas. A qualquer hora a alguém por ali, seja jogando bola, correndo, usando os equipamentos de musculação (todos em excelente conservação), vendendo empanadas e minutos de celular, ou empurrando o carrinho de bebê. Achei que era privilégio da zona dos grandes bancos, onde me instalaram. Mas não demorou a ver que assim também o é, nos bairros de classe média, os mesmo nos quase abandonados bairros industriais (ainda que nesse último, pela noite, se reunam prostitutas pra fumar crack).</p>
<p>O que é um outro ponto interessante. Afamadamente o maior produtor de cocaína do mundo, não se vê em bogotá (ou em qualquer outro pueblito que estive) alguém consumindo a droga. Na verdade não se vê as pessoas consumindo droga nenhuma. Raios! É raro ver alguém fumando, e mesmo os fumantes fumam pouco (tanto que os maços aqui são de 10 cigarros, e absolutamente todo lugar os vende avulsos). Mesmo o álcool&#8230; em tantos dias perambulando pelos bairos, não vi um bêbado nas ruas, fosse mendigo ou playboy saindo da balada.</p>
<p>Mantendo a linha alcóolica, vale dizer que a bebida aqui é cara. A bebida importada, isso é: um litro de vodka comum chega a custar 60 dolares no mercado. A bebida local é o aguardiente, sendo mais popular o de marca Nectar. É um destilado de cana, e seria como a 51. Se a 51 fizesse camapanhas milhonárias com modelos gostosas no horário nobre, e enfiasse essência de anis ad nauseum nas suas bebidas. </p>
<p>A cerveja local não é muito diferente da nossa. Aqui também as grandes marcas foram reunidas em um monopólio bizarro, e estão disponíveis em qualquer lugar a preços acessíveis. Mas existem duas diferenças importantes. Primeiro, a Club Colombia, bate com <strong>muita</strong> violência em qualquer cerveja produzida em larga escala no Brasil, tem um paladar rico e forte, como nenhuma das nossas. E segundo, esse mega monopólio levou a aparição de um sem-fim de cervejas artesanais, vendidas como chopp onde são produzidas (coisa que a gente ainda está engatinhando), e são muito boas, algumas até com selos internacionais.</p>
<p>E falando de bebida, no que toca o estomago o colombiano se parece com o brasileiro. O prato de todo dia é arroz. Feijão em várias apresentações, aparece mais ou menos dependendo da região. E batatas, que são praticamente obrigatórias, sejam assadas, cozidas, fritas ou na minha variedade favorita: Criollas. Que são batatinhas pequenas que são cozidas até amolecer, e depois fritas muito rapidamente com casca e tudo. A carne não é farta, nem particularmente saborosa e, previsivelmente, mais cara que no Brasil. Em vez disso eles comem muito dos peixes locais normalmente fritos inteiros (atenção para a mojarra), e um pouco menos frango.</p>
<p>Mas chama (e muito) a atenção são os fast-food. Claro que existe McDonalds, mas estão sempre meio abandonados: as opções locais de hamburguer são vastamente superiores. Não tem muito segredo. O hamburguer não espera sua vez de alimentar um freguês congeladinho no fundo. Em vez disso, a carne é moída, temperada, moldada e assada sobre carvão (sim, em todos eles!) a cada pedido. Não é tão <em>fast</em>, mas é muito mais <em>food</em>.<br />
E se me perguntam do café, uma palavra: aguado.</p>
<p>Faltou falar sobre as pessoas.<br />
Podia dizer que as colombinas são muito bonitas. Enfiar alguma foto de miss, e deixar por isso mesmo. Mas um certo artigo que li, sobre ser colombiano, me chamou a atenção. Ele começa citando Broges, &#8220;Ser colombiano es um acto de fé&#8221;. E vai longe dizendo que o local, é especilista em derrota: da copa de 62 quando eram favoritos (ainda brinca, o colombiano se orgulha de ter empatado com a russia 4-4 antes de ser eliminado), ao canal do panamá, ao segundo hino mais bonito do mundo, ao presidente que diz que vai baixar a corrupção às &#8220;justas proporções&#8221;.</p>
<p>É demasiado presunçoso achar que compreendo o nacional. Mas enquanto brasileiro (<em>cof, cof, cof</em>), me identifico um tanto com ele. Talvez porisso continuamos a nos foder tanto. Mas diferente do brasileiro malandro, que fode mais alguém (pra compensar), acaba que é um povo muito prestativo, atencioso, que conversa fácil, que espera muito pouco e agradece demais. E com certeza porisso, os considere mais que meu conterrâneo médio.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/158/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/158/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/158/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/158/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/158/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/158/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/158/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=158&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Crônica Macaense</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 01:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8230; the scent of a battle is near the cannon sounds, A NEW YEAR BEGINS FEAR NOTHING NOW, THE GANG&#8217;S ALL HERE É roll call tocando no despertador. Significa que são 5:20 e que perdi o primeiro alarme. Normalmente, levantar com Dropkick Murphy&#8217;s é motivante, uma aceleração rápida pra compensar o tempo da soneca. Hoje, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=135&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>&#8230;<br />
the scent of a battle is near<br />
the cannon sounds, A NEW YEAR BEGINS<br />
<strong>FEAR NOTHING NOW, THE GANG&#8217;S ALL HERE</strong></em></p>
<p>É roll call tocando no despertador. Significa que são 5:20 e que perdi o primeiro alarme. Normalmente, levantar com Dropkick Murphy&#8217;s é motivante, uma aceleração rápida pra compensar o tempo da soneca. Hoje, não.</p>
<p>Hoje, acordar com essa desculpa de música significa que esqueci o que sonhei. Que provavelmente era melhor do que acordar com dor nas costas, num quarto empoeirado, com o barulho alto do ar seco e frio que entra pel&#8217;aquela máquina na parede. E certamente melhor que o prospecto de trabalhar o dia inteiro naquela oficina maldita.</p>
<p>Jogo as pernas pra fora da cama, as costas arqueadas procurando os chinelos na penumbra. O &#8220;solo&#8221;  de guitarra da &#8220;música&#8221; seguinte começa, indicando que estou demorando demais. Porca miséria, não tomarei café da manhã então, satisfeito satanás?!</p></blockquote>
<p>O escrito é meu. Mas foi surpreendente lembrar que de fato o dia começou assim.</p>
<p>Num súbito fôlego o ano novo começou, e o velho ficou pra trás. E como no estranho ritual de pular ondas e comer lentilhas, não entendi muito bem o que aconteceu. Até que tivesse acontecido.</p>
<p>Era terça-feira de manhã, e eu estava no Flamengo para minha primeira reunião com um cliente. Estava acompanhando um canadense. Era uma troca boa, ele me ensina o que sabe, eu banco o intérprete. A reunião foi um embuste: nós queríamos discutir os pormenores do embarque e da operação, eles queriam uma apresentação sobre o sistema de plugues duplos. O que segue não foi muito melhor: um almoço <i>overpriced</i>, uma espera infinita no aeroporto, um ônibus perdido.</p>
<p>Depender da boa vontade da logística&#8230;. não, já tinha dado errado demais. <b>Eu</b> pago o táxi, <b>eu</b> reservo o hotel, mas também vocês que dêem seus pulos pra me reembolsar. Foi quando as coisas começaram a melhorar. Jantamos bem, dormimos pouco no hotel caro.</p>
<p>Sonhei profundo no ônibus. Faltando pouco mais de 40 minutos pra chegar em Macaé sou informado que vamos a Cabo Frio. Uma parada muito rápida,  fazer as malas correndo, pra não perder o vôo que sai às 13h. Almoço? Bah! Comer é para os fracos&#8230; Está acontecendo, finalmente vou embarcar! Brotou um enorme sorriso no rosto.</p>
<p>Tolo.</p>
<p>Vez e de novo a mesma lição. Não comemorarás em antecipação. O helicóptero para a plataforma tinha 10 lugares, mas aguardavam o check-in 13 passageiros. E claro que o trainee vai ficar em terra.</p>
<p>Dessa vez a logística me conseguiu um quarto, mas o taxi saiu do meu bolso, de novo. E não ajudou meu humor em nada estar num quarto grande, vazio e velho. Muitas perguntas. Andar pela cidade só trouxe uma amarga certeza: solidão não é estar sozinho, mas não querer a companhia de ninguém. E vaguei sem rumo, como se em alguma esquina subitamente fosse encontrar o porque de só dar errado comigo. Pela enésima vez.</p>
<p>Acabei por jantar no McDonaldas. Ei, pelo menos não tinha música ao vivo!</p>
<p>Acordei antes do sol, como um boneco de dar corda. Não quis café da manhã. Segui para o aeroporto incrédulo, nenhuma palavra com o taxista. Fui o primeiro a me registrar, mas outra vez meu nome não estava no manifesto. Tomei um toddynho, tentando não amargar.</p>
<p>Fui chamado no sistema de som. Passei pelo detector de metais, pela polícia federal. Me juntei aos outros passageiros que foram preteridos do vôo de ontem, numa salinha para assistir o briefing de segurança do Sikorsky-76. Dentro da aeronave, colete salva-vidas, protetores auriculares interno e externo.  Aceitar o que estava acontecendo parecia um salto de fé com conseqüências dolorosas. Como se alguém pudesse vir ali e me levar de volta pro hotel.</p>
<p>Estou sentado bem atrás do copiloto. Tenho vista privilegiada, das janelas, dos instrumentos. O motor acelera, e mesmo com tanta proteção, o ruído é opressivo. O pássaro de aço levanta. Não é como eu antecipava: é suave. O girar das pás filtra os primeiros raios de sol em um batimento cinza. Sim, está acontecendo, finalmente está quebrada a maldição. O sorriso queima no peito, sinto pela primeira vez em muito tempo que estou mais quente que o mundo a minha volta.</p>
<p>A cidade parece mais bonita lá de cima. As casas no recuo da montanha ainda estão escondidas do sol, as usinas de sal estão começando a funcionar. Logo a praia fica pra trás. E a enorme pedra que a encabeça também. Só existe agora azul. Um profundo no mar, e um ameno no céu. Existe também um pavilhão dourado que machuca os olhos.</p>
<p>Em 25 minutos eis que surge:<br />
<a href="http://hipotermico.files.wordpress.com/2011/05/gsf.jpg"><img src="http://hipotermico.files.wordpress.com/2011/05/gsf.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" title="GSF Arctic-1" width="460" height="345" class="alignnone size-full wp-image-146" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/135/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=135&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Hipotérmico</media:title>
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			<media:title type="html">GSF Arctic-1</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Carta Hermética em Décima Terceira Pessoa</title>
		<link>http://hipotermico.wordpress.com/2011/01/27/carta-hermetica-em-decima-terceira-pessoa/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 03:10:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
				<category><![CDATA[obscuro]]></category>

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		<description><![CDATA[Macaé, Rio de Janeiro. Saudoso ente, Sim, é tudo verdade: abandonei minha vida para ganhar um salário obsceno trabalhando numa indústria de idoneidade duvidosa. Se isso lhe é informação suficiente, talvez devas mesmo parar de ler por aqui. Não garanto entendimento do que segue. Mas julgo conhecê-lo suficiente para afirmar que não será o caso. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=130&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Macaé, Rio de Janeiro.</p>
<p>Saudoso ente,</p>
<p>Sim, é tudo verdade: abandonei minha vida para ganhar um salário obsceno trabalhando numa indústria de idoneidade duvidosa.</p>
<p>Se isso lhe é informação suficiente, talvez devas mesmo parar de ler por aqui. Não garanto entendimento do que segue. Mas julgo conhecê-lo suficiente para afirmar que não será o caso. Confio que tua curiosidade te levará a algo&#8230; Maior. Com a devida complexidade é possível negar cada pequeno aspecto dessa mordaz afirmação( e bem, muito mais).</p>
<p>Farei isso. No entanto, preciso pedir-te umas desculpas. Apesar de uma aparente ociosidade às vésperas de minha partida, não lhe dei a devida atenção. Me encontrava em intensa atividade mental, digerindo a iminência da mudança, tentando preencher as lacunas daquilo que não sabiam me informar. Mas não vou me alongar na justificativa. </p>
<p>Sucintamente, existe, sim, beleza no que compartilhaste. E é certo que existe algo de intrigante, libertador &#8230; mas Temo, não por tua alma (já que alma não quebra), mas porque caminho que escolheste é possivelmente o mais árduo. Apesar da ressalva, tenho só a te agradecer. Obrigado.</p>
<p>No passado tentaria argumentar sobre alguma idéia vaga de moralidade empresarial. Não. Isso é hipocrisia. É uma extensão das mais complexas (e sindrômicas), do que afirmei no passado: somos mais animais do que gostamos de admitir. E como um grupo de pessoas, não surpreende que vigore algo como seleção natural entre as empresas, e uma relação predatória de equilibro delicado com a sociedade civil (rá!) e o meio ambiente. Eu sei, ser humano é Maior que isso, mas é o que existe, e não jogar implica em ser jogado.</p>
<p>E sem fugir muito do assunto, alerto. Talvez aches que compensa a tua pegada ambiental pagando mais caro por papel reciclado. É um embuste, mas a explicação fica pra outra hora. Por hora vê este <a href="http://youtu.be/hpAMbpQ8J7g">video</a>.</p>
<p>Sobre a remuneração, confesso algum incômodo em tratar abertamente, mesmo sem tratar valores. Mas percebo como sendo apenas o justo. E faço questão de frisar que o fator aventura pesou mais do que a cifra.</p>
<p>Quanto a abandonar minha vida, ora, não se enganes, morarás para sempre em meu coração.</p>
<p>O que acontece por aqui&#8230; é bem diferente. Diante desta tarefa me sinto como Pero Vaz, a escrever à coroa portuguesa. Já se espera que no litoral o verniz de civilização seja mais fino, mas me surpreendeu a selvageria dos garçons e atendentes. Talvez pensando nisso, nos deram um forte bem equipado, para que nos preocupássemos com pouco fora do trabalho. Sim, nós, voltei a morar em república.</p>
<p>Os prospectos são bons, e o sol brilha forte.</p>
<p>Pois bem, agora o sabes. Minha situação configura-se de tal forma que não poderia tratar de outro assunto. Ainda hei de contar os detalhes sórdidos e frívolos, dos causos insólitos&#8230; mas não hoje. </p>
<p>Precisava vencer a inércia e escrever alguma coisa. Agora vencida peço: ajuda-me a escrever mais. Conta-me da parcela de vida que deixei contigo. Se parece tarefa difícil (e não advogo o contrário), te ofereço uma singela pergunta-muleta.</p>
<p>Como vai a tua mente?</p>
<p>Um saludo prolixo,<br />
Homem Hipotérmico</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/130/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=130&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Hipotérmico</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Mínimo Múltiplo Comum</title>
		<link>http://hipotermico.wordpress.com/2010/12/25/minimo-multiplo-comum/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Dec 2010 19:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bits Box]]></category>
		<category><![CDATA[Danse Macabre]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[chuva]]></category>
		<category><![CDATA[natal]]></category>
		<category><![CDATA[processo seletiva]]></category>
		<category><![CDATA[rejeição]]></category>

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		<description><![CDATA[Arrasto o garfo juntando os últimos grãos de milho. A mastigação é mecânica, enquanto observo as manchas de purê e molho na porcelana branca. Estou fugindo da última rejeição, e sei disso. Trovão. Lá fora o céu escurece, não parece certo que seja meio dia. Do outro lado da mesa os tios comentam &#8220;esse tempo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=128&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Arrasto o garfo juntando os últimos grãos de milho. A mastigação é mecânica, enquanto observo as manchas de purê e molho na porcelana branca. Estou fugindo da última rejeição, e sei disso.</p>
<p>Trovão. </p>
<p>Lá fora o céu escurece, não parece certo que seja meio dia. Do outro lado da mesa os tios comentam &#8220;esse tempo louco&#8221;. Entro na conversa sem muito interesse, anunciando minha vontade de nadar. A idéia não encontra censores, nem companheiros.</p>
<p>A chuva cai forte lá fora. Os pingos grossos impedem de ver além do primeiro coqueiro, e tingem o quintal de um cinza. Um cinza mudo que atenua a cor das acerolas .</p>
<p>Levanto-me no mesmo instante que a tia chega com duas vistosas embalagens. Doces, na certa. &#8220;Não quer sobremesa?&#8221;</p>
<p>Sorrio uma negativa. Tiro a camiseta de algodão branco, deixando-a sobre a cadeira que a pouco ocupava. Corri pela varanda e através do caminho de pedras. Serpenteando por entre os coqueiros e as árvores de fruta, o caminho parece muito mais longo do quando visto de cima. A chuva é fria e muito intensa, castiga a pele. Acelero o quanto posso no piso escorregadio.</p>
<p>Ponho mais força nos últimos passos para que o salto se pareça mais com um vôo. Atingi a água morna, a sobre carga sensorial me leva a outro mundo. Como a piscina é funda, mas estava pouco cheia, só existem ali a água agitada, as paredes de vinil imitando ladrilhos e o céu revolto mandando sua chuva.</p>
<p>Nadei a extensão da piscina 10 vezes, para cansar. Submerjo estafado. Solto o ar gradualmente para deitar-me ao fundo. Conto de 10 a 0. Não existe mais cansaço, chuva, piscina. Sinto me um com tudo isso. Me esforço para lembrar do email que me fez apático durante a orgia natalina. </p>
<p>&#8220;Prezado candidato&#8221; &#8211; Uma pequena mancha no monitor distorcia as últimas letras. Esperei a resposta por dias. E a incrível experiência no processo de seleção só alimentaram a expectativa. Frustrada: &#8220;Não tem o perfil&#8221;.</p>
<p>Repeti a parte ruim. E mais uma vez, e de novo. Até que se tornou pequena. Tão pequena que se tornou indigna de toda a reação que causou no noite anterior. </p>
<p>O ar começou a faltar. Subi rápido e inspirei vigorosamente. Sem a lente de água revelam-se os detalhes intrincados nas nuvens. Sorri, agora estava tudo bem. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/128/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=128&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Hipotérmico</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>The Golden Goose</title>
		<link>http://hipotermico.wordpress.com/2010/11/14/thegoldengoose/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 05:26:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
				<category><![CDATA[mas não muito]]></category>
		<category><![CDATA[reclamando]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava dispersando, pela quarta ou quinta vez naquela hora. Concentração fica muito difícil depois de 10 horas no mesmo assunto. Li uma notícia, e achei justo (e saudável) dar os meu dois centavos no assunto. Deputado mais votado, 1,3 milhões de votos. É isso mesmo, propositalmente me abstive de opinar sobre essas eleições, mas vou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=125&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava dispersando, pela quarta ou quinta vez naquela hora. Concentração fica muito difícil depois de 10 horas no mesmo assunto. Li uma <a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/829895-promotor-quer-que-tiririca-faca-novo-teste-para-comprovar-alfabetizacao.shtml">notícia</a>, e achei justo (e saudável) dar os meu dois centavos no assunto.</p>
<p>Deputado mais votado, 1,3 milhões de votos. É isso mesmo, propositalmente me abstive de opinar sobre essas eleições, mas vou falar do palhaço.</p>
<p>Sei de gente que está indignada, culpando esse ou aquele segmento. Outros que acham merecido. O tal promotor parece levar uma cruzada para impedir que ele tome posse, e novamente os ânimos se aquecem: de um lado dizem que é uma afronta à democracia; do outro, que ele não pode assumir se não tiver capacidades pra isso.</p>
<p>Mas não é nesse debate que vou sujar minhas botas. Existe um dado de realidade objetiva que diz muito mais do que as trivialidades morais que se opõem: Tiririca foi eleito e está tendo que provar que sabe ler e escrever.</p>
<p>Por quê?</p>
<p>Por que um comediante de humor duvidoso, que já tinha caído no esquecimento, recebe mais votos do que o segundo e terceiro lugares somados? E por que ele está tendo que <strong>provar</strong> que sabe ler e escrever?</p>
<p>É quase impossível fugir da resposta trivial: porque a educação está uma merda!<br />
Não é falta de decoro, nobre leitor, a palavra é essa mesma, merda.</p>
<p>E acredito que a palavra trivial só cabe, pelo sentido matemático, de solução imediata. Porque existem aspectos que apesar de óbvios são muito confortavelmente ignorados. Oh não, eu não empenhei todas essas linhas pra dizer &#8220;mais dinheiro nas escolas públicas&#8221;.</p>
<p>Claro que isso faz parte (alguns diriam, com respaldo estatístico, que não, mas não é bem esse o ponto). Mas não é da parte fácil que eu quero falar (raramente é). Porque a educação também está uma merda(3) na escola privada. Mas como se papai e mamãe se estragam de tanto trabalhar pra pagar a mensalidade&#8230; Porque a educação também está uma merda(4) no ensino superior, inclusive nas melhores do país. Mas como se o governo do estado despeja tanto dinheiro nelas&#8230;. Porque a educação também é uma merda(5) na pós-graduação strictu ou latu-sensu. Mas como se os cursos são tão caros&#8230;.</p>
<p>Estamos vendo um padrão?<br />
Não vou entrar no mérito do gastar muito versus gastar bem&#8230;. Porque neste país é normal que o sujeito passe 15 anos na merda(6) da escola, e tudo que ele tire de lá é a capacidade de decodificar letras em sons, mas não de depreender o seu significado. Pior, que ele olhe pra um problema cotidiano e se pergunte &#8220;Mas é de mais ou de menas, essa conta?&#8221;. É um problema grave, mas não sejamos hipócritas, a merda(7) no alto fede mais.</p>
<p>Em 98 FHC disse que era tudo lama. Antes fosse&#8230;.</p>
<p>O que eu vejo é um problema de vontade. Porque não tem nada de errado com uma nota ruim de matemática, é tão difícil, né? Ah, mas não dava pra ter feito um paper melhor nesse prazo, não com a festa do boringugu na quarta e o rodeio universiotário na sexta. E bom, esse trabalho que eu estou entregando tá bem acoxambrado, o professor finge que não percebe, a gente finge que não sabe que é um monte de mer- perdão, colega, estrume. E você bem sabe&#8230;. pra ficar bom mesmo, a gente estaria que nem aquele doido ali, se matando de estudar.</p>
<p>Não adianta falar de modelo sul coreano, de progressão continuada, de obrigatoriedade do cálculo diferencial ou de distorções na demanda do mercado de trabalho. Enquanto estiver marginalizada a intelectualidade e a verdadeira busca por conhecimento, principalmente entre nós da classe mérdia(8)&#8230;. bom, a verdade é que vai continuar uma merda(9).</p>
<p>E por que retomar esse tema agora, assim?<br />
Fosse um pouco menos fantoche, o sujeito eleito poderia hastear essa bandeira. É uma oportunidade de ouro, <em>hence the title</em>. Reconhecesse as dificuldades, que não teve condições de ter uma educação melhor, e que apesar de ter conseguido se virar assim, sabe que isso não é lugar comum. Já que a equipe faz tudo por ele, articulassem propostas com as ONGs que estão engajadas nisso, procura benchmark internacional, identifica os casos de sucesso&#8230; mas mais importante usa da popularidade pra enfiar isso na cabeça das pessoas. Já pensou? O palhaço acusado de analfabeto revolucionando a educação do país&#8230;. é um enredo melhor do que o do torneiro mecânico que vira presidente carismático.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/125/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=125&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Hipotérmico</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A Estrada para a Capela do Apocalipse</title>
		<link>http://hipotermico.wordpress.com/2010/10/25/a-estrada-para-a-capela-do-apocalipse/</link>
		<comments>http://hipotermico.wordpress.com/2010/10/25/a-estrada-para-a-capela-do-apocalipse/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Oct 2010 14:30:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bits Box]]></category>

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		<description><![CDATA[A estrada é uma reta enorme. Daquelas que desaparecem no horizonte de areia.  Chamar de asfalto a sucessão de buracos e rachaduras seria otimismo. As faixas, uma vaga lembrança. Guarnecendo a peça principal, restos de pneus e carcaças de bois. Para que não fique dúvida sobre o abandono, as placas estão enferrujadas além de qualquer possibilidade de leitura. Completam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=81&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A estrada é uma reta enorme. Daquelas que desaparecem no horizonte de areia.  Chamar de asfalto a sucessão de buracos e rachaduras seria otimismo. As faixas, uma vaga lembrança. Guarnecendo a peça principal, restos de pneus e carcaças de bois. Para que não fique dúvida sobre o abandono, as placas estão enferrujadas além de qualquer possibilidade de leitura. Completam o cenário tétrico as núvens negras da tempestade prestes a despencar, o vento forte assobaindo contra o carro e o indicador de combustível na reserva.</p>
<p>Queria dizer que essa descrição é um figmento de minha imaginação. Mas não é, esse lugar <a title="Punta del Médano" href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=Punta+del+M%C3%A9dano,+San+Juan,+Argentina&amp;sll=-32.382281,-67.413483&amp;sspn=0.815295,1.752319&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=Punta+del+M%C3%A9dano,+San+Juan,+Argentina&amp;ll=-32.255636,-67.380524&amp;spn=0.102054,0.153637&amp;t=h&amp;z=13">existe</a>.</p>
<p>É verdade sim, andei meio ausente. Deste blog também, mas isso é consequência.</p>
<p>Suprimi a racionalidade para Experimentar um pouco do mundo, com o mínimo de crítica  possível. Mas a supressão não foi absoluta, do contrário não teria o que contar. Tampouco foi intencional, não acho teria ido tão longe se fosse. E por caminhos tortuosos cheguei a lugares inusitados.</p>
<p>Mas não deixe que o &#8220;cheguei&#8221; tome dimensão de finalidade ou conclusão.  Acreditando, prematuramente, ter cessado essa abstenção, foi que comecei a escrever essa missiva. Mas não podia terminá-la, sem superar a idéia contida nessas palavras que acabaste de ler. De que esse estado de consciência alterado, de alguma forma, se associava à perda. Não poderia estar mais errado.</p>
<p>Comecemos pois pelo começo. A descrição que inicia este escrito não é para ambientar alguma historinha do começo de 2005: Me utilizo do episódio na dificuldade de destilar em lógica a experiência catártica, buscando transmitir por identificação o que senti.</p>
<p>Depois da negação veemente da existência de diversas coisas(improváveis, fato), me disseram que o núcleo da terra é um coração cheio de ódio.  Pois eu discordo. O centro (provavelmente) ferroso deste planeta (mais ou menos) equidista de todos os seres da nossa raça violenta, e é quente, então não parece de todo ruim compará-lo ao músculo bombeando sangue cheio de adrenalina. Mas, por se tratar de núcleo, escolheria algo mais fundamental, mais antigo. </p>
<p>Um coração cheio de medo.</p>
<p>Mas antes de responder porque, talvez seja apropriado inspirar vigorosamente duas vezes e relembrar a velha prece.<br />
<strong><em>Medo é o inimigo da mente.<br />
É a pequena morte que a tudo oblitera&#8230;</strong></em></p>
<p>Não precisa ir muito longe&#8230; qualquer pessoa com a capacidade lógica de uma calculadora de camelô consegue entender: O homo-habilis que pegava sua lança mais rápido tinha melhores chances sobreviver ao ataque daquele predador. Mas não quero me estender no argumento evolucionista, não é algo que domine plenamente. Tão pouco pretendo explorar o processo que descontextualiza um mecanismo de sobrevivência, e o transforma numa espécie de sobre-carga sensorial que impede a realização de grandes feitos.</p>
<p>Reconheço, não querer explorar essa idéia é contrário àquilo que seria meu modus operandi. Mas fui lá&#8230; E não achei nada particularmente valioso. Interessante talvez, mas é racional. </p>
<p>E qual o grande problema nisso, me perguntariam justamente. Bom, a mente racional é, em grande parte, uma máquina de criar conforto. Conforto não produz grandes homens, produz gordos apáticos.</p>
<p>Apatia, que parece ser denominador comum à nossa sociedade, se expressa com maestria na <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sturgeon's_Law">segunda lei de Sturgeon</a>. Ora, dizer que 90% de tudo é lixo é um forma bem eficaz de se proteger das questões que esse &#8220;todo resto&#8221; pode levantar. E mais medo se revela quando uns caras legais dizem que é um número otimista.</p>
<p>Olhar os efeitos permite intuir um pouco sobre as causas. Cabe então consultar o senhor michaelis por uma definição.</p>
<blockquote><p>medo<sup>1</sup><br />
<em></em>(<em>é</em>)<em> adj</em> (<em>lat medu</em>) Que pertence ou se refere à Média.<em> adj+sm</em>Habitante ou natural da Média.</p>
<p>medo<sup>2</sup><br />
<em></em>(<em>é</em>)<em> sm</em> (<em>cast médano</em>)<em> </em>Monte de areias acumuladas pelo vento à beira-mar; duna.</p>
<p>medo<sup>3</sup><br />
<em></em>(<em>ê</em>)<em> sm</em> (<em>lat metu</em>)<strong> 1</strong> Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror.<strong> 2</strong> Apreensão.<strong> 3</strong>Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável.<em>sm pl</em> Gestos ou visagens que causam susto.</p></blockquote>
<p>A primeira e a segunda definições levantam umas coincidências no mínimo curiosas. Da terceira, decorre a noção de que medo é uma forma de antecipação da perda. Alguém poderia dizer que tem medo daquilo que não conhece ou compreende. Mas a demonstração é imediata, o medo do desconhecido é, em essência, o medo da perda que isso pode representar. À essa noção, talvez crua e provavelmente simplista, se adiciona um pouco de poesia quando se pensa que Phobos é o filho de Afrodite com Ares.</p>
<p>Mas, dêmos um passo atrás para não cair no equívoco de que fundamental é sinônimo de simples.  Racionalizando, medo é a expressão de um aprendizado. Que se manifesta pela antecipação da perda, ou melhor, pela tentativa de medir a dor que virá com a perda. Como já dito antes, provavelmente foi fundamental para alguns primitivos sobreviverem tempo suficiente para legar seus genes.</p>
<p>Seguindo com essa álgebra conceitual, podemos dizer que a perda está intimamente ligada à ideia de posse. Parece óbvio, não se pode perder aquilo que não se tem. Faz sentido, mas alongando o tempo de observação perceberemos algo interessante: a posse é provisória enquanto a perda, inexorável. Seria exagero dizer que ter é uma ilusão?</p>
<p>Mas não há nada de novo em constatar como é efêmera a vida. Sim, todos sabem do seu inevitável final. E mesmo assim empenham seu tempo fugindo de impostos, ladrões, esquecimento, incêndios e qualquer coisa que possa adiantar uma subtração no &#8220;seu&#8221; patrimônio. Não professo saber o porque disso, mas arrisco dizer que talvez se ocupem com isso para não pensar em outras coisas&#8230;</p>
<p>Dito isso, podemos falar da primeira grande ilusão que lubrifica a sociedade como a vivemos: A ilusão de que o homem se define por aquilo tem.</p>
<p>Com essa ideia em mente, reiteramos o processo algébrico retirando toda a casca de complexidade. E conforme se pela as camadas urbanas e sociais, veremos a questão como se porta no microcosmo. A observação é que medo se resume à incapacidade (talvez indisposição) de responder &#8220;Quem sou eu?&#8221;, e seus 3 desdobramentos espaço-temporais.</p>
<p>Não é tarefa simples. É um processo de criação muito intenso, que irremediavelmente passa por limitar o caos de possibilidades infinitas, abrir quartos escuros e olhar o que há lá dentro, desconstruir alguns mitos e admitir algumas coisas incômodas. Pior? Provavelmente nunca se chega a uma resposta definitiva.  Pela percepção (até inconsciente) do tamanho e dificuldade dessa tarefa, é que as pessoas passem as suas vidas esperando a morte enquanto esquivam a questão.</p>
<p>Pode parecer exagero, mas&#8230; será que o consumo não se tornou algo tão urgente em nosso meio, justamente por oferecer (falsas) respostas? O carro do ano, a roupa de marca, os eletrônicos de última geração, não vendem exclusivamente por seus aspectos técnicos. Como diz o adágio do marketing, são produtos que resolvem problemas que o consumidor não sabia que tinha. E por que outro motivo teriam tanto sucesso aquelas atividades não podem ser descritas de outra forma se não <em>mind numbing</em>, como WoW, Facebook, Igreja Universal, Tv? O processo de auto-conhecimento é doloroso, é mais <em>cômodo</em> comprar uma resposta pronta, além de ser mais rápida, a aceitação social vem de brinde&#8230;</p>
<p>A própria ideia de coletividade levanta algumas questões perniciosas. Dizem que devemos olhar com grande admiração o exemplo de desprendimento do<a href="http://www.foxnews.com/story/0,2933,289255,00.html"> animal</a> que rói a própria perna para se livrar de uma armadilha. Mas não seria muito mais nobre, mais despreendido, maior, aquele que permanecesse na armadilha, conservando energias na espera de seu algoz, para eliminar a ameaça?</p>
<p>Não, eu não tenho uma resposta, apenas continuo na estrada. E não faço a menor idéia do que estão fazendo nessa capela.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/81/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=81&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Manhê, tô vivo!</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jul 2010 19:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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		<description><![CDATA[Não sumi. Ia dizer que essa minha longa ausência começou com uma experimento em campo, cujos resultados inquietantes estão sendo cozinhados num post. A primeira parte é verdade, mas qualquer coisa que cozinhasse por tanto tempo teria queimado a essa altura&#8230;e bem, eu estou queimado. Não de sol, mais como aquela expressão gringa, burned out. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=87&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sumi. Ia dizer que essa minha longa ausência começou com uma experimento em campo, cujos resultados inquietantes estão sendo cozinhados num post. A primeira parte é verdade, mas qualquer coisa que cozinhasse por tanto tempo teria queimado a essa altura&#8230;e bem, eu estou queimado. Não de sol, mais como aquela expressão gringa, burned out. Noites não dormidas, provas, processo seletivo, bíblias satânicas, formatura, seminários, reunião com cliente, relatórios&#8230;</p>
<p>O bom  é que simultâneo a tudo isso também acontecia a tal copa do mundo. E sendo o Brasil país do futebol como é, cada jogo foi um mini-feriado (e agora começam a voar as pedras), o que significa a possibilidade de trabalhar mais e dormir um pouco.  É isso mesmo, eu gosto tanto de futebol que preferi dormir(se não voaram antes, as pedras voam agora) ou lavar louça durante os jogos.</p>
<p>Mas não é pra falar mal de futebol(ainda que ache que seja um esporte individual travestido de coletivo, com um verniz muito frágil de refinamento) que resolvi quebrar o silêncio. Acho bom que perca, e quero que volte a perder. Que desencante essa obsessão nas futuras gerações, que em vez de só jogar futebol talvez resolvam estudar. E se não der pra tanto, que pelo menos olhem um pouco para outros esportes&#8230;.<br />
Veja, não é ódio pelo futebol, mas desgosto com uma obsessão nacional. Uma obsessão marginal, de poucos frutos, com ranço de país subdesenvolvido. Um país assim:<br />
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://hipotermico.wordpress.com/2010/07/03/manhe-to-vivo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Kl14MU1pENE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>E honestamente, acho ótimo que tenha saído fazendo o papelão que me disseram que fez. Não tenho mais os mini-feriados, verdade, mas já tive o suficiente. Em breve o dito post aparece aqui, por ora os deixo com Vanucci, pra relembrar 2006:<br />
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://hipotermico.wordpress.com/2010/07/03/manhe-to-vivo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/KE8nN90ewlI/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=87&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Íntimo</title>
		<link>http://hipotermico.wordpress.com/2010/03/22/intimo/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 17:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bits Box]]></category>
		<category><![CDATA[Introspectivo]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[review]]></category>
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		<description><![CDATA[Tenho um certo receio de escrever sobre cinema sabendo que para algumas pessoas que lêem isso aqui, cinema é mais do que um filme que você assiste. E, honestamente, não pretendia assistir The Girlfriend Experience. Não acompanhei o dito barulho que  antecedeu seu lançamento. Não sabia do orçamento reduzido, do prazo ridiculamente curto, da dita [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=59&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho um certo receio de escrever sobre cinema sabendo que para algumas pessoas que lêem isso aqui, cinema é mais do que um filme que você assiste. E, honestamente, não pretendia assistir The Girlfriend Experience.</p>
<p>Não acompanhei o dito barulho que  antecedeu seu lançamento. Não sabia do orçamento reduzido, do prazo ridiculamente curto, da dita produção de guerrilha. Sobre a empreitada conhecia apenas dois nomes: Steven Soderbergh e Sasha Grey. Veja, nenhum deles me diz muita coisa. O primeiro em grande parte por desconhecimento meu: sei que ele tem uma mão em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0465538/">Michael Clayton</a>, que contaria muito a seu favor se não tivesse uma mão também em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0496806/">Ocean&#8217;s 13</a>.</p>
<p>Se não conheces a segunda, talvez ela mereça que ser procurada no google. Ela é atriz porno. Podia parar por aí, e desqualifica-la como atriz &#8220;séria&#8221;, mas há algo de intrigante na sua conduta: ela se sujeita às praticas mais extremas da dita industria,  ao mesmo tempo que nutre um forte entusiasmo intelectual por essa perversidade. Podia dizer que ela tem um gosto musical foda (dá pra ver <a href="http://www.myspace.com/sashagrey">aqui</a>), mas não sabia disso antes.</p>
<p>Confabulemos, um giga e meio da minha preciosa banda é um investimento bastante alto,  maior considerando que fica impossível usar a conexão nesse tempo. Com tão poucas certezas, decidi que era um perfil muito agressivo pra mim. Estou numa fase mais conservadora, sabe, laranja mecânica e poupança. Então não, deixa quieto. Quem sabe quando estiver mais fácil?</p>
<p>Então cheguei tarde em casa. Liguei o wii (que não me pertence), vendo se tinha algum episódio novo de alguma das séries que assisto casualmente.  Não tem, mas há uma pasta denominada TGE. Dentro dela um Avi e está imagem:</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" title="The Girlfriend Experience" src="http://lifegoespop.files.wordpress.com/2009/05/the-girlfriend-experience.jpg?w=460" alt="" /></p>
<p>Repentinamente ficou fácil.</p>
<p>Central ao filme está uma acompanhante de New York, que oferece não um &#8216;alívio rápido&#8217; mas algo que sugere o título. Logo nas primeiras cenas, vemos que isso inclui roupas de grife, vinhos caros em restaurantes chiques, beijos demorados, conversas abraçadinhos e mais, numa experiência que vai além do sexo (sem excluí-lo). Só vemos a natureza de negócio da interação quando, pela manhã, um gordo envelope de dólares troca de mãos.</p>
<p>É verdade que a sinopse da a impressão de ser um filme sobre sexo, e não se pode negar que está por todo filme. Exceto que não está: a nudez é mínima e não vemos ninguém fazendo de fato. Me disseram que  CHE, do mesmo diretor, é uma megaprodução que fala dos problemas do comunismo. Pois The Girlfriend Experience é uma &#8216;microprodução&#8217; (esse termo existe?) sobre os problemas do capitalismo.</p>
<p>E a princípio se questiona se isso não é incidental. Mas não existe coesão no desespero financeiro de cada um dos clientes da protagonista. E conforme vemos o seu relacionamento com o namorado dificultado pelo esforço manter sua estabilidade (lutando para agradar velhos clientes e atrair novos), vemos que o interesse da narrativa é menos com trabalho sexual,  do que com trabalho. O namorado, personal trainer, procura oportunidades em outras academias e vender pacotes maiores de treinamento, enquanto ela se preocupa em relançar o seu site, e procura um <em>Coinnesuer </em>de acompanhantes para lhe fazer um review e melhorar sua imagem no meio.</p>
<p>Em entrevista (que ela faz querendo se promover), diz que não é genuína nos encontros, não pagam ela para isso. Por esse motivo ouve com paciência, e até aparente interesse, as reclamações sobre a corrida eleitoral, a crise econômica, os interesses do estado de israel, conselhos sobre comprar ouro&#8230;</p>
<p>E talvez por esse motivo o filme seja de fato interessante, e mereça essas tantas linhas que já lhe dispensei.  Tanto a protagonista quanto seu namorado são freelancers, lutando para manter as contas pagas, em áreas que o sucesso depende muito da sublimação da barreira de profissionalismo. Nesse ponto a escolha de Sasha Grey é genial.</p>
<p>Veja, ela não é uma excelente atriz, acho pouco provável que a veremos no cinema mainstream (pensando bem&#8230;), e parece estar alheia ao que acontece em sua volta. Mas justamente esse cool que não se afeta com nada, a coloca perfeitamente nessa personagem. Ela se torna maleável, como algo em que podemos moldar o que quisermos.  E esse é o pulo do gato.</p>
<p>O serviço da protagonista é um fake. Mas um fake bastante crível. Não pretendo desmontar as  camadas de complexidade e significado no título, mas pra mim girlfried experience é isso: estar 100% com a outra pessoa. Criar um ambiente que acomoda plenamente as necessidades e dificuldades do outro, mas que não é de adulação. Mais do que prover conforto, é prover cumplicidade. O trabalho dela é emular isso. E quando isso deixa de ser fake, aparece dor.</p>
<p>Assim, em vez discutir profundamente questões de relevância econômica ou política, The Girlfriend Experience cutuca com muita sutileza algumas questões (que por falta de palavra melhor, chamo de) pesadas. Mais do que uma atuação emocionante numa história intrincada, é sobre testar as barreiras conceituais e experimentais entre presa e predador, degradação e poder, pessoa e mercadoria. Em suma,  é um filme intimista  e honesto, que versa sobre honestidade e intimidade, do qual se sai mais ansioso e pensativo do que excitado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/59/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=59&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">The Girlfriend Experience</media:title>
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		<title>Faroeste Cabloco</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 14:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hipotérmico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem a noite muita gente se ocupou com uma certa festa. Mais gente do que eu gostaria de acreditar. E podia ficar resmungando. E falar que é o fim do mundo algumas pseudo-celebridades legais twitarem sobre isso. Ou até repetir umas palavras dizendo que é mais um evento de moda do que de cinema. Mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=72&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem a noite muita gente se ocupou com uma certa festa. Mais gente do que eu gostaria de acreditar. E podia ficar resmungando. E falar que é o fim do mundo algumas pseudo-celebridades legais twitarem sobre isso. Ou até repetir umas palavras dizendo que é mais um evento de moda do que de cinema.</p>
<p>Mas estava ocupado com outra coisa. Algo mais relevante pra mim. Comecei a redigir como<a href="http://anarcoblog.wordpress.com/2009/12/25/christmas-letter/"> e-letter</a>, no caderno, com bic preta. Interrompi, faltava o scanner. Um email tradicional então? Não, muito importante pra tão pouco esmero. Além do mais email a gente sempre deixa pra depois, não podia arriscar cair nesse limbo eletrônico.  Então suprima-se as piadas internas, as referências obscuras, a data alinhada à direta e a saudação ao Irmão das Armas.</p>
<p>Mais importante, aproximemos aqueles que estão alheios: <a href="http://74.125.47.132/search?q=cache:ym-3kLQuhWwJ:www.universia.com.br/noticia/materia_dentrodocampus.jsp%3Fnot%3D52986+Andr%C3%A9+Natali+Sanches&amp;cd=2&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br">o André foi aprovado na UnB</a>. Fiquei feliz por ele, e estou certo que não somos poucos nesse sentimento. Mas passamos da fase de parabenizá-lo, e chegamos a fase da despedida. E em nossa reunião alcoólica para marcar esse fato, alguém puxou tímido o começo desta música como brinde:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://hipotermico.wordpress.com/2010/03/08/faroeste-cabloco/"><img src="http://img.youtube.com/vi/lPRzugaPm-8/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>E conforme bradava os versos erguendo alto meu copo, fui sentindo que aquilo estava errado. Mas não era &#8220;só&#8221;  porque nosso amigo não está morrendo. Havia algo de nostálgico nesse erro.</p>
<p>Acontece que cerca de 6 anos atrás eu me mudei de São Paulo para Campinas. Era algo que queria há muito, e antecipava. As &#8220;festinhas&#8221; foram mais comemoração do que despedida. E quando os mais próximos me perguntaram o que aconteceria, eu sorri, e disse que ficaria tudo bem, que não seria tão diferente assim. Mas foi. Às vésperas da partida, quando lágrimas verteram nos rostos dos mais fortes, uma súbita tristeza me tomou, como se contagiado da saudade em antecipação. Não sei da onde emprestei determinação, mas disse: &#8220;Não é como se eu estivesse indo pra guerra&#8221;.</p>
<p>Veja, essa não é uma forma condescendente de dizer que sei tudo que espera quem daqui sai para estudar. Como os anos mostraram, Campinas é pouco mais do que um bairro afastado. Brasília por outro lado está na quarta região deste mapa:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img title="4 regiões" src="http://img195.yfrog.com/img195/813/mapadobrasil.gif" alt="" width="300" height="299" /><p class="wp-caption-text">Brasil, segundo Anarcoplayba</p></div>
<p>Mas honestamente tenho minhas dúvidas se essa proximidade é algo realmente benéfico.  No primeiro sábado eu voltei. E no segundo,  no terceiro&#8230; em tantos que não seria muito longe da verdade dizer que voltei todos eles.  E não posso negar que isso aliviou aflições originais, confirmando a idéia de que era tudo exagero. Só que não era.</p>
<p>Tentando manter viva toda a extensão da minha vida social em São Paulo, não a desenvolvi em Campinas. E mesmo a primeira parte requeria uma quantidade notável de energia pra ser exprimida (e espremida) em dois dias por semana. Ao mesmo tempo que não estava perto, não deixava que me percebessem longe. E assim algumas distâncias se tornaram muito maiores que <a href="http://maps.google.com/maps?f=d&amp;source=s_d&amp;saddr=S%C3%A3o+Paulo+-+SP,+Brasil&amp;daddr=Campinas,+Sp&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=FfGrmP4dHlk4_SnRYaSDgUTOlDGuWzP_CEupmw%3BFQN6ov4duuUx_SlJJlWi9sjIlDE2NQRYHAB1dA&amp;mra=ls&amp;sll=-23.20601,-46.693268&amp;sspn=0.74216,1.234589&amp;ie=UTF8&amp;ll=-23.226203,-46.867676&amp;spn=0.742048,1.234589&amp;z=10">esses 100 quilômetros</a>. Queria culpar alguma circunstância, mas pelo meu isolamento só posso culpar minha inépcia ingênua. Mas não quero me estender muito nessa idéia e nos seus desdobramentos aparentemente tristes.</p>
<p>(Escreveria mais numa carta, sim, mas aí estaria sendo prolixo para um só leitor. Além do mais já dá pra concluir sem ficar muito hermético.)</p>
<p>O que quero dizer de tudo isso é: Não more em Brasília tentando viver em Sampa. Nós ficamos por aqui, mas não se preocupe, amizade é igual cachaça, é o que tem de mais forte.</p>
<p>Vá à guerra, meu amigo, e destrua tudo por lá.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hipotermico.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hipotermico.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hipotermico.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hipotermico.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hipotermico.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hipotermico.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hipotermico.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hipotermico.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hipotermico.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hipotermico.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hipotermico.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hipotermico.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hipotermico.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hipotermico.wordpress.com/72/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hipotermico.wordpress.com&amp;blog=10456146&amp;post=72&amp;subd=hipotermico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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